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30 julho, 2010

Namoro



Seja por uma besteira que meu amigo fez e deixou a namorada dele fula, seja por uma história triste que ouvi alguém relatar em um bar, seja por uma briga que presenciei no meio da rua, seja por estar lendo algo e me ver naquela situação, sempre me perguntei o motivo de namorar.
Já namorei, vou admitir, por motivos errados. Quem nunca o fez? É claro que existem aqueles abençoados que tem a sorte - ou não - de acabarem sendo pouco atropelados por sua ânsia de motivações certas e ações erradas. Mas estes são raros. Nós, maioria, acabamos por sim 'quebrar a cara' e, felizmente, a maioria de nós segue em frente.
Acreditei, uma época, que o ponto chave de uma relação era amar incondicionalmente o companheiro. Mas um pouquinho de realidade neste tempero já me mostrou como este conceito sempre acaba em lágrimas e grandes decepções.
Talvez para me proteger, acreditei depois que a chave era, agora, a química. Isto mesmo! Nada de âmago, nada de coração, nada de sentimentozinhos bonitinhos, cheio de pássaros cantando e coisinhas bonitas. O que determinaria um casal seriam os beijos, abraços e amassos. A quantidade de arrepios é que iria nos dizer se tudo aquilo daria em um bom namoro.
Obviamente, estava errado. Pelo menos é assim que vejo agora. Como já disse a vocês: eu já namorei por motivos errados.
Ao mudar o entendimento de um relacionamento, engloba-me uma tristeza por aqueles sofrimentos tolos passados por pura inexperiência. Aquela angústia de dizer “caramba, não deu certo e eu sei que boa parte daquele sofrimento todo foi minha culpa, minha responsabilidade”.
Eu namoro – e acredito nisto hoje – acreditando que eu possa até encontrar alguém que me faça mais feliz do que hoje estou. Namoro, sim, acreditando que talvez não seja ‘a melhor’. Mas eu nunca gostei de par ideal.
Talvez isto surpreenda a maioria, não é mesmo? Eu diria que – sim, concordo com vocês – é assustador este pensamento. Mas essa não é a essência do namoro para mim.

No final das contas, namorar para mim é uma questão de fé: afinal, existem muitos caminhos – e ninguém pode dizer que não apareceriam alguns mais bonitos e floridos que o que você anda.
Mas você percebe que, mesmo com essa possibilidade, não deixaria sua trilha ou largaria da mão daquela que está ao seu lado.

Sacrifício, talvez? Acho que não.

Para mim é Fé.

E é por isto que, hoje, eu namoro.

29 julho, 2010

Teoria de Alison

"Oh, it’s so funny to be seeing you after so long, girl.
And with the way you look
I understand that you are not impressed."
 

Essas são as três primeiras frases de Alison, canção de Elvis Costelo, clássico absoluto. E é a canção que empresta som, palavras e sentimento para esse texto, ou melhor, teoria. Essas frases já são uma pista mas o que vem a ser a Teoria de Alison? Bem, a teoria de Alison é uma equação muito simples:

{É só juntar um cara legal, uma garota bacana, platonismo à vontade, alguns itens da Lei de Murphy, e, às vezes, um relacionamento quase perfeito acontece. Quase perfeito. Aí é só bater no liqüidificador e beber o resto da vida entre silêncios e sonhos}

Alisons são aquelas garotas que marcam a vida da gente e que a gente não consegue esquecer com o tempo, ao contrário, elas nos tomam cada vez mais, como se só existissem elas no mundo. Sei que não existem apenas elas, mas isso é inexplicável, acontece. E acontece a ponto de as tornarem as maiores adversárias de novos relacionamentos, embora nem estejam mais ali, talvez apenas como fantasmas, mas nós acabamos sempre as querendo. É diferente de flertes corriqueiros e inconseqüentes e é sacrifício até manter a amizade depois que a história chega ao fim, ou melhor, quase início.

Ela pode ser qualquer garota, como a vizinha, uma colega de classe, a amiga de um conhecido, a irmã de uma amiga, a namorada do melhor amigo, uma prima, qualquer uma. Parece piada, mas acredite, não é. Acontece. Quem tem uma Alison tem também uma porção de histórias tragicômicas para contar. Eu mesmo tenho um monte e daria para escrever um livro só contando minhas mancadas.

Cada um deve ter a sua Alison. Eu tenho a minha, bonita, inteligente, frases iniciadas por um e finalizada por outro, quase beijos, e por fim, silêncios. Tá, ela me envia emails vez em quando. Mas já não está sozinha, o que a torna ainda mais impossível. Mas é a minha Alison, vou fazer o que? Não escolhi. Ela me apareceu do nada, numa tarde de julho a quase 800 km da minha casa (acho que fui eu que apareci) e, bem, ela vai se casar em setembro e eu não quero ser muito sentimental (como canta Costelo) mas a vida segue, cada um na sua, e geralmente Alisons nos trazem tristeza. É a sina. Eu só sei que ela não é minha.

Isso é o fim ? Não, como eu disse, a vida segue. Apenas segue mais arrastada. Isso tudo não impede da gente encontrar alguém e se apaixonar e tal. Eu já me apaixonei mas não foi lá grande coisa, nem por culpa da paixão mas por culpa da Alison. Mesmo assim acredito que a minha garota está andando por aí e qualquer dia eu a encontro. Acredito. Mas Alison é
Alison, a gente bebe a vida inteira dessa chuva. E desde então parece que tem chovido sempre. Sempre.


"Alison, my aim is true. My aim is true."
 
Texto de Miguel F. Luna
28 de Setembro de 2000