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27 maio, 2014

Loira

No fim, tudo são desculpas.

Sabe toda aquela história, repleta de momentos bacanas, com muitos aprendizados e cheio de crescimento? É esse tipo de história mesmo. Tão bom, tão bom que... porra, até os momentos ruins você esquece. Vale a pena.

Pois é, tive uma dessa. E era foda, boa demais para ser verdade. Ela era tudo que eu sempre sonhei em ter numa mulher ao meu lado. E é claro, sempre que temos algo assim, ficamos apreensivos e cheios de desculpas.

Desculpa pelos erros cometidos. Desculpa para não terminar. Desculpas para não conseguir fazer dar certo. Des-culpa.

O problema é que não existe desculpar... a culpa é tua. O engraçado disso tudo é que, de maneira covarde, muitas vezes nos fiamos em coisas pequenas, bobas, poucas e facilmente superáveis como o problema derradeiro para o fim. O fim para tentar por fim a sua culpa, ao seu medo, a sua responsabilidade.

No fim, tudo são desculpas.

30 outubro, 2011

Divergência

          Ele sempre sabia quando ela estava preocupada com alguma coisa, conhecia todos os sinais. Ela se retraía. Começava a ficar quieta e divagava. Qualquer coisa desviava sua atenção dele - um barulho na rua, uma porta batendo ao longe, o noticiário do tempo - como se desviar para aquelas coisinhas corriqueiras fosse criar um porto seguro entre eles dois. Ela se esquecia de rir e se tornava quase comicamente séria e ponderada em relação a tudo.
          Não tinha lógica ela estar preocupada, embora soubesse que preocupação e lógica raramente andavam juntas. Iriam se afastar ainda mais, era verdade, mas ele nem teria aceitado o emprego se ela não o tivesse incentivado, o obrigado, na verdade. Ela não deixaria que ele perdesse aquela chance. Mas não que ele iria detestar. Era exatamente o tipo de coisa que ele sempre quis fazer, um emprego dos seus sonhos, e ambos sabiam disso.
           Ela disse que tinha um ótimo programa de especialização em Campinas e a orientadora dela, em Londrina, é que selecionava os participantes. Sem dúvida ela conseguiria. Aquilo não ajudaria na distância, mas disse a si mesmo que não faria mal tentar por seis meses e aceitou o emprego. Qualquer coisa buscaria ela e poderiam ter um apartamento. Ela montaria seu próprio escritório com a ajuda dele.
          Se rendeu. Foi para longe por três semanas, para um treinamento de verão. Agora ele estava de volta e ela ali, com olhar vago e silenciosa. Ele não ficou surpreso.
          Abriu caminho até ela, dando cotoveladas e empurrões. Antes de se sentar, se debruçou na mesinha do bar para beijá-la. Ela não levantou os lábios para ele, que teve que se contentar com um beijinho na testa.
          Havia um copo de martíni vazio diante dela e, quando a garçonete se aproximou, pediu mais um e uma cerveja para ele. Ele estava curtindo a aparência dela, a linha suave do seu pescoço, o brilho dourado do seu cabelo na luz fraca, e a princípio só deixou ela falar, murmurando na hora certa, meio ouvindo. Ele só começou realmente a prestar atenção quando ela disse que ele deveria pensar nessa temporada longe como umas férias do relacionamento deles, e mesmo nessa hora achou que ela estava tentando fazer graça. Não percebeu que aquilo era sério até ela dizer que achava que seria bom os dois passar um tempo com outras pessoas.
          - Sem roupa - ele disse.
          - Não teria problema algum - disse ela, tomando metade do martíni em um só gole.
          Foi do jeito que virou a bebida, mais do que aquilo que tinha dito, que provocou um choque gelado de apreensão nele. O drinque era pra criar coragem e já tinha tomado um - talvez dois - antes dele chegar.

[continua]

14 junho, 2011

Tempos...

Quando você necessita de minutos, segundos são disponibilizados.

Mas se a proporção quase sempre se mantem, qual a linha tênue entre a cobrança exagerada e a falta de interesse?

No final, tudo que quero é continuar tendo minha esperança maior que a merda de minha necessidade.

18 abril, 2011

Destino

Ninguém se apaixona por escolha, mas por acaso. Ninguém permanece apaixonado por acaso, é um esforço diário. E ninguém se desapaixona por acaso, é um escolha.

03 fevereiro, 2011

Complicado essa coisa de amar, não?

Situação: sentir que foi empurrado de lado como se fosse um brinquedo que não é mais tão interessante.

Sentimento: frustração tremenda.

Pensamento: não acredito que seja para me sacanear ou que exista 'falta de sentimento'. Mas, vocês sabem: "é foda".

Análise: tal pensamento não me anima, só me consola.

Achismo: consolação é o sentimento dos que tem esperança.

Conclusão: eu ainda amo ela.

02 fevereiro, 2011

Aprendizados...

1 - Não adianta apenas agir de maneira ética. Se você falar besteira, você pagará por sua língua. O homem não é um ser determinado apenas por suas ações e, deste modo, não é somente o modo que você age que irá determinar seu caráter e personalidade. Feche a boca e se contenha.

2 - Memorize seus compromissos. Você não pode ser uma pessoa de sucesso em nenhum campo se não for bom em memorizar seus compromissos. É muito ruim marcar dois compromissos em data única e ter que escolher entre 'o mais importante'. Pior ainda é fazer com que uma terceira pessoa pareça 'culpada' por tal escolha.

3 - Dê um tempo para as pessoas pensarem. Aprenda que cada um absorve as notícias em um tempo. Uma coisa que você acha simples e que parece ser facilmente superada pode ser complexa e dolorida a outrem. Dê tempo ao tempo, mas não se esqueça o que prezas nem deixe ser esquecido. Seja lembrado, mas faça isto de modo que não precise ser retificado a todo momento.

4 - Admita. Não adianta esconder ou tentar diminuir pois, no final, fica pior se for pego mentindo após uma falha ou um problema. A longo prazo isto lhe dará a diferença entre ter sucesso e conseguir ser feliz ou ter uma vida cheia de frustrações e desgraça.

--

Último e mais importante: se você tem um namorado e namorada e gosta da pessoa, tais aprendizados devem ser seguidos de maneira quase fanática.

Prevenir sempre será melhor que remediar, acredite.

02 outubro, 2010

Calmaria

Existem momentos que a única coisa que você quer é um pouco de fúria, explosão. Algo inesperado.

Tudo aquilo é real, você sabe. É algo que até te assusta, mas não surpreende.

Só queria que ligassem dizendo 'venha agora, não quero nem saber o que está fazendo, eu quero te ver e pouco importo se você terá que adiar seus compromissos'.

Consideração é legal, mas mostrar a paixão atropelar tudo de vez em quando, nos faz sentir mais queridos...

Não concordam?

23 agosto, 2010

Fui atropelado...


...pelo dia.
Pedi um pouco de paciência, mas me coloquei de maneira indelicada em situação que sutileza precisava sobrar. Houve, então, falha mútua de interpretação e agora estou aqui, meio frustrado, bastante cansado, um tanto angustiado e numa situação que não posso buscar culpas externas (e fazê-lo seria covardia): a culpa foi minha.
Ok, ok. Não é uma boa noite, deite a cabecinha no travesseiro, deixe sua respiração se tornar mais pausada e torça para que o amanhã seja um dia mais cativante.

Mesmo as rosas tem espinhos.


[ Só pra constar: nunca tive, tenho ou terei intenção de ser seu dono. ]

12 agosto, 2010

Percepção

Tenho certeza que, se tivesse perdido aquele momento, aquele dia, aquele ano, aquela data, aquelas tardes e aquelas bobas conversas e telefonemas, nunca mais veria ela.

E isto me faria um mal danado.

Fico imaginando, agora, quantas situações ocorreram que me deram a chance de tê-la ao meu lado e quantas outras situações deixaram de ocorrer para eu permanecer a abraçá-la.

Interessante como tudo é muito delicado, né? Eu, orgulho. Ela, a garota mais "difícil" que já conheci. Só todo o mundo conspirando para dar certo que nos daria qualquer chance.

E mesmo com toda conspiração, só uma segunda chance é que tornou isto um pouquinho real.

Que isto cresça, que isto floreça.

PS: sem correção, sem releitura, só com uma pira louca de escrever essas besteiras óbvias, eu sei, mas que as vezes precisam ser expressas.

05 agosto, 2010

Cuide-se



Um dia você aprende que por mais coisas que você saiba, você não sabe de tudo.
Você entende que certas coisas não se aprende ouvindo, mas vivendo. E que por mais que você queira ensinar algo à uma pessoa, muitas vezes você pode repetir 100 vezes e ela vai continuar não entendendo. Você descobre que em certas situações seu nome é impotência. E você vai precisar daquele pingo a mais de prudência.
O mundo não tem um tempo só. As pessoas vivem isoladas: em bolhas. E aqui isolamento não significa solidão, não significa se encontrar caindo em um buraco que não tem fim, significa que vivemos em tempos diferentes.
Nesse momento, que você está lendo, tem uma folha que caiu lá fora e você não viu. E por mais que você a veja jogada no chão na manhã seguinte, não presenciou o acontecimento propriamente dito.
Com a gente acontece a mesma coisa. Existem aquelas pessoas que te conhecem como ninguém, compartilham todos os seus aprendizados, seus medos, sua descobertas. No entanto, você vive o seu tempo e ela o dela.
Estamos nesse lugar para conviver. Nunca poderemos entender completamente uma pessoa. Ou melhor, nunca vamos saber de tudo: sempre vai existir aquela surpresa, aquela coisa que não tinha passado pela sua cabeça, e que tem um impacto diferente em você.
É muito fácil achar erros. É muito fácil odiar. Mais fácil que tudo isso é julgar. Você é único, assim como todos. Essa é a verdade.
Por mais que a pessoa tenha princípios absolutamente diferentes, hoje eu espero não odiá-la. Por mais que ela faça coisas com as quais eu não concordo.
Quantas folhas caíram no quintal dela sem que eu tivesse percebido?
A humanidade só vai mudar no dia em que pararmos de buscar pontos fracos nos outros e nos concentrarmos no espelho. Você é a única pessoa que pode se conhecer por completo.
Se ocupar metendo o pau no tempo dos outros, fazendo críticas diretas ou comentários infelizes vai te deixar cada vez mais vazio, mais sozinho, mais vulnerável...

Cuide da sua bolha. Esta é a única maneira de você não acabar sozinho.

[ Um pedido de desculpas falho, eu sei, mas totalmente dedicado a Patrícia Belgamo Rossetto. Espero que entenda. ]

30 julho, 2010

Namoro



Seja por uma besteira que meu amigo fez e deixou a namorada dele fula, seja por uma história triste que ouvi alguém relatar em um bar, seja por uma briga que presenciei no meio da rua, seja por estar lendo algo e me ver naquela situação, sempre me perguntei o motivo de namorar.
Já namorei, vou admitir, por motivos errados. Quem nunca o fez? É claro que existem aqueles abençoados que tem a sorte - ou não - de acabarem sendo pouco atropelados por sua ânsia de motivações certas e ações erradas. Mas estes são raros. Nós, maioria, acabamos por sim 'quebrar a cara' e, felizmente, a maioria de nós segue em frente.
Acreditei, uma época, que o ponto chave de uma relação era amar incondicionalmente o companheiro. Mas um pouquinho de realidade neste tempero já me mostrou como este conceito sempre acaba em lágrimas e grandes decepções.
Talvez para me proteger, acreditei depois que a chave era, agora, a química. Isto mesmo! Nada de âmago, nada de coração, nada de sentimentozinhos bonitinhos, cheio de pássaros cantando e coisinhas bonitas. O que determinaria um casal seriam os beijos, abraços e amassos. A quantidade de arrepios é que iria nos dizer se tudo aquilo daria em um bom namoro.
Obviamente, estava errado. Pelo menos é assim que vejo agora. Como já disse a vocês: eu já namorei por motivos errados.
Ao mudar o entendimento de um relacionamento, engloba-me uma tristeza por aqueles sofrimentos tolos passados por pura inexperiência. Aquela angústia de dizer “caramba, não deu certo e eu sei que boa parte daquele sofrimento todo foi minha culpa, minha responsabilidade”.
Eu namoro – e acredito nisto hoje – acreditando que eu possa até encontrar alguém que me faça mais feliz do que hoje estou. Namoro, sim, acreditando que talvez não seja ‘a melhor’. Mas eu nunca gostei de par ideal.
Talvez isto surpreenda a maioria, não é mesmo? Eu diria que – sim, concordo com vocês – é assustador este pensamento. Mas essa não é a essência do namoro para mim.

No final das contas, namorar para mim é uma questão de fé: afinal, existem muitos caminhos – e ninguém pode dizer que não apareceriam alguns mais bonitos e floridos que o que você anda.
Mas você percebe que, mesmo com essa possibilidade, não deixaria sua trilha ou largaria da mão daquela que está ao seu lado.

Sacrifício, talvez? Acho que não.

Para mim é Fé.

E é por isto que, hoje, eu namoro.

29 julho, 2010

Teoria de Alison

"Oh, it’s so funny to be seeing you after so long, girl.
And with the way you look
I understand that you are not impressed."
 

Essas são as três primeiras frases de Alison, canção de Elvis Costelo, clássico absoluto. E é a canção que empresta som, palavras e sentimento para esse texto, ou melhor, teoria. Essas frases já são uma pista mas o que vem a ser a Teoria de Alison? Bem, a teoria de Alison é uma equação muito simples:

{É só juntar um cara legal, uma garota bacana, platonismo à vontade, alguns itens da Lei de Murphy, e, às vezes, um relacionamento quase perfeito acontece. Quase perfeito. Aí é só bater no liqüidificador e beber o resto da vida entre silêncios e sonhos}

Alisons são aquelas garotas que marcam a vida da gente e que a gente não consegue esquecer com o tempo, ao contrário, elas nos tomam cada vez mais, como se só existissem elas no mundo. Sei que não existem apenas elas, mas isso é inexplicável, acontece. E acontece a ponto de as tornarem as maiores adversárias de novos relacionamentos, embora nem estejam mais ali, talvez apenas como fantasmas, mas nós acabamos sempre as querendo. É diferente de flertes corriqueiros e inconseqüentes e é sacrifício até manter a amizade depois que a história chega ao fim, ou melhor, quase início.

Ela pode ser qualquer garota, como a vizinha, uma colega de classe, a amiga de um conhecido, a irmã de uma amiga, a namorada do melhor amigo, uma prima, qualquer uma. Parece piada, mas acredite, não é. Acontece. Quem tem uma Alison tem também uma porção de histórias tragicômicas para contar. Eu mesmo tenho um monte e daria para escrever um livro só contando minhas mancadas.

Cada um deve ter a sua Alison. Eu tenho a minha, bonita, inteligente, frases iniciadas por um e finalizada por outro, quase beijos, e por fim, silêncios. Tá, ela me envia emails vez em quando. Mas já não está sozinha, o que a torna ainda mais impossível. Mas é a minha Alison, vou fazer o que? Não escolhi. Ela me apareceu do nada, numa tarde de julho a quase 800 km da minha casa (acho que fui eu que apareci) e, bem, ela vai se casar em setembro e eu não quero ser muito sentimental (como canta Costelo) mas a vida segue, cada um na sua, e geralmente Alisons nos trazem tristeza. É a sina. Eu só sei que ela não é minha.

Isso é o fim ? Não, como eu disse, a vida segue. Apenas segue mais arrastada. Isso tudo não impede da gente encontrar alguém e se apaixonar e tal. Eu já me apaixonei mas não foi lá grande coisa, nem por culpa da paixão mas por culpa da Alison. Mesmo assim acredito que a minha garota está andando por aí e qualquer dia eu a encontro. Acredito. Mas Alison é
Alison, a gente bebe a vida inteira dessa chuva. E desde então parece que tem chovido sempre. Sempre.


"Alison, my aim is true. My aim is true."
 
Texto de Miguel F. Luna
28 de Setembro de 2000

27 junho, 2010

Fim de Semana

- E se um dia eu deixar de te amar?
- Não era amor.
- Como você sabe?
- Não sei. Mas no meu mundo, não era amor. Simples assim.
- Você me ama?
- Não.
- Não???
- Não.
- ...
- Gosto de ti. Sou apaixonada. Mas não te amo.
- Você é foda...
- Não. Isto não é ruim... Eu amo o André.
- O André? Pqp, aquela bichinha!
- Viu?
- Então... você se vê sempre ao meu lado?
- Não. Você me larga antes disso.
- Por que você diz isso?
- Não sei. Mas se tivesse certeza do contrário, te largaria.
- Eu não te entendo...
- Eu larguei o André. E o Eduardo...
- ... então... então eu não posso te amar?
- Você pode pensar que me ama.
- E qual a diferença?
- Você pode ir embora. Pra sempre.
- Isso significa que você só me quer enquanto pode me perder?
- Mais ou menos... o amor é chato. Quem ama espera aceitação.
- E quem se apaixona?
- Cede.

- Vem cá...

22 junho, 2010

Sublime alma que me persegue tanto e incansavelmente
Já não me perturbas
Contra o frio de tua segurança já me protegi
A sua razão não mais tento decifrar
Faz parte de mim, você.

Alma contente que tanto vi
Não me importa que ninguém te entenda
Os seus demônios, são os meus
A sua existência, divina.

Me trouxeste insegurança
Coração apertado, muitas lembranças
Risadas desesperadas
Desconforto constante.

Tanto te evitei, abismo
O céu é ilusão, o chão o meu lugar
Caindo em câmera lenta, penso em ti

Bonita Tristeza, não mais te reprimo
Faz parte de mim, você.

18 junho, 2010

Tentativa


Sempre devemos ter claro em nossa mente que podemos perder aqueles que tanto queremos bem.
Para ser sincero, são tantos fatores, influências e determinantes que não estão diretamente relacionadas com nossa vontade que ouso considerar que aquele suposto ‘querer’ não é a peça-chave para, como dizem?, dar certo.
Deve-se torcer para que os caminhos se aproximem, as dificuldades sejam superáveis e todo tipo de fardo possa ser carregado com uma mão só. Algumas vezes precisamos de ambas as mãos para carregar determinados pesos e é isto, mais do que até a suposta ‘vontade de estar junto’, que determina nosso fracasso ou sucesso naquele relacionamento que dizíamos ser perfeito.
Porém te aconselho, meu leitor: para o raio com essa perfeição, o ideal e a maldita mania que temos de ver qualquer relação como ‘pouco provável de dar certo’. Se não tentarmos agora, não nos esforçarmos e lutarmos pelo que se quer e... sim, pelo que sentimos, quando o faremos? 
O tempo não volta.
Feliz é a criança, que se importa mais com rolar na grama do que com as cicatrizes que isto pode trazer.
[ Volte infância, volte. ]

07 junho, 2010

Sinergia



Voltou a rachar toda aquela casca que te manteve intacto durante os últimos anos e você percebeu que tentará algo perigoso mais uma vez.
Por momentos, fica em dúvida. Mas se dá conta que certeza ou garantia não é algo que pode se obter de uma relação.

[Ninguém precisa de ninguém para ser feliz, mas existem pessoas que te tornam melhor do que você é capaz de ser sozinho.]

E é como você disse ao seu melhor amigo:
- Eu tenho que tentar, cara. Você sabe... É ELA.

04 junho, 2010

Frustado


Não bastaria o osso estilhaçado impedir-me de ter um domingo contente, ainda tenho que absorver as piadas, os risos suspensos e os olhares pensativos de uma noite simplória, que eu só queria que existisse para tornar meu feriado menos gélido.
Essas ações, inconseqüentes, sempre serão interpretadas como escárnio ou falta de empatia, independente de quais forem suas reais intenções. Elas tornam a noite ácida, por mais bonita que seja a pele que tocamos e os carinhos que recebemos.
É por tudo (somente, na verdade) isto que estou aqui, para dizer que sim estou feliz, mas frustrado e um tanto entristecido de perceber que a aparência, o físico alheio, pelo jeito, é sempre importante.
E mais do que eu acreditava ser anteriormente.

[Existem coisas que não se tem como mudar. Não importa quão alto é seu sonho, determinadas alturas não podem ser alcançadas. Este é um estigma que sempre carregarei ao caminhar de mãos dadas.]

Vou me deitar: aqui está uma lembrança que quero apagar da cabeça.

27 maio, 2010

Paradoxo


            Ciúme, esse instinto de posse não educado, que se mantém balançando entre a linha divisória da imaginação, fantasia e crença e a da certeza, frequentemente é baseado em algo incerto e impreciso.
Agora eu pergunto a você, leitor: quando um cético fica com ciúmes, como ele deve proceder?

É... deixe esse assunto pra lá.

25 maio, 2010

Sentimento


            Lembra quando você era inocente, sentimento era presente e fácil de expressar? É, o peso do que chamamos de idade, essa característica que vem carregada de experiências e traumas, nos faz repensar em cada palavra que ousamos escrever ou proferir.
            Ah, voltemos àquela época simples: nada de interpretações e pensamentos para os reais significados de tudo que se expôs. Nada, nada mesmo, de analisar sobre a sinceridade, a verdade e suas consequências: você quer sentir.
Volte a ser aquele que garotinho sem receios, que tem fé naqueles afagos tímidos que recebe ao envolvê-la.
E o menino novamente tenta tapar sua própria razão, liberar seus instintos, mas percebe que o tempo é curvo, não um retrocesso.
Então ele, não mais tão jovem agora, decide se expor novamente. As palavras emitidas novamente tornam-se robustas, carregadas com aquela mistura quase esquecida de euforia e medo.

18 maio, 2010

Distância


Sempre achei difícil me contentar com algo que não fosse espetacular. Ou sempre achei difícil aceitar essa idéia. Nada de 'mais ou menos' ou normalidade. Sempre busquei os extremos. Felicidade intensa sem um minuto de dúvidas ou medos. O 'não-consigo-viver-sem' tipo de sentimento.
Previsível ou não, quase sempre quebrei a cara. A realidade nunca superava a perfeição das minhas idéias e eu me livrava de sentimentos com incrível facilidade. Simplesmente por achar que eles não existiam.
Não sou uma constante. Estou em eterno processo de mudança e minha cabeça não aceitaria nada que fosse estático. Nada que beirasse a mesmice.
Das coisas que aprendi, talvez uma das mais importantes foi dar valor ao 'simplesmente bom'. Saber reconhecer quando algo está legal o suficiente no presente e deixar as coisas como elas estão.
Muita calma. Não estou dizendo que passei a me contentar com pouco. Simplesmente parei de deixar as minhas idealizações esconderem a realidade, o agora. Consegui parar de questionar o futuro. Aprendi a reconhecer os momentos agradáveis que fazem a minha vida mais leve. Sentir, mais do que pensar. Entorpecer-me com a calma que isso me traz.
Soa perfeito, não?
Diria que longe das minhas antigas idealizações, mas é o fio que me segura nos momentos difíceis. Quando nada, nada consegue ser melhor do que 'bom o suficiente'.

04 maio, 2010

Calma


Sem sono, sem tristezas, sem tormentos, sem confusões.
Senta aqui do lado, na sala mais ou menos escura. Observe o teto junto comigo e sinta o que estou sentindo.
Você vai descobrir o que é não precisar de nada além de suas esperanças.
Vai viver segundos eternos. Vai se sentir feliz... da forma mais pura que existe.
Queria olhos na minha frente. Queria mergulhar em almas e doar um pouco de tranquilidade.
Queria ouvidos ouvindo a mesma musica e sentindo exatamente a mesma coisa.
Não tenho olhos, nem ouvidos.
'Coração, o que você vai fazer?'
'Shiiiiu'
Tenho sentimentos saindo pelas mãos. Tranquilidade transbordando. Medos e agonias esquecidos. P r e o c u p a ç õ e s são letras que jamais vão se juntar para formar uma palavra nessa infinidade de segundos inacabáveis.
Olhos que enxergam uma vida simples. Cheia de pessoas perdidas trombando umas nas outras.
É tão bom poder escolher pessoas para andarem de mãos dadas com você pelo seu caminho. É tão bom perceber que elas também te escolheram, e que o caminho é o mesmo...
Vamos pular em uma cama de molas. Deixar o corpo cair de cansaço e gargalhar até a barriga doer.
Pegue a chave do carro e vamos tomar sorvete de flocos e observar as pessoas a nossa volta. Imaginar o que cada uma delas esta pensando.
Vamos brincar de fazer perguntas e perceber que as respostas não são tão importantes assim.

Entra aqui, e me deixa te compreender.
Entra aqui, e me compreende.

Noite completamente preenchida por mim mesmo. Tão bom não estar sozinho.

19 abril, 2010

Casal Casal


Lembrou-se do garoto de anos atrás, vestido com aquele surrado e horrível casaco preto.
Absolutamente dominado por idéias obscuras, aquele dia de cálido só tinha o sol tímido que se projetava do centro do pátio em que estava.
Sentado em um banco gelado com a pintura descascada, tudo parecia triste, principalmente aquelas folhas secas caídas aos seus pés.
Uma voz atravessava a parede feita de madeira, chegando aos ouvidos dele, que pouco se importava com qualquer que fosse o significado daquele monólogo.
Não sabe, até hoje, se o casaco era realmente horrível, se estava realmente frio, se o banco era mesmo velho e, também, se a voz e o assunto eram realmente entediantes. Mas foi assim que ele interpretou, então só podia ser verdade, não?
Uma campainha toca e centenas de vozes se propagam, mas nada retira o menino de seus pensamentos. Levantou-se para beber água, tendo certeza que voltaria a sentar segundos depois sem nenhuma surpresa. Assim o foi.
Aquele era realmente um dia a não ser lembrado.

Quem nunca contou uma história e, após determinada parte, se dá conta que boa parte do que foi contado é fantasioso, criado por nossas cabeças para manter uma sequência lógica dos fatos?

            Ele não sabe, até hoje, se isto é algo pessoal ou comum entre as pessoas. Mas ele sempre fez isto e, por este motivo, acreditou que dois olhos acompanhavam alguns de seus perdidos passos pela área cimentada.
Como aquele jovem tende a criar fantasias para seguir uma sequência lógica de fatos, ele acreditou que existia, também, intenção na atenção. Nem cogitou que era provável que aqueles olhos claros tivessem, como única motivação, apenas curiosidade.
Deixou a racionalidade de lado e deu um sorriso leve na direção daquele olhar.
A partir dali, tendo de um lado um maldito pessimista e do outro uma garota de aceno tímido, é que o dia mudou.

Foi para sua casa ao final da aula e se deitou, acordando quase cinco anos depois. Acreditava que faria tudo da mesma maneira, por mais espinhoso o percurso tivesse sido até agora.
‘Um dia a ser lembrado’, ele diria mais tarde.

Escreveu.

12 abril, 2010

"A Interpretação dos Sonhos"

        Muito se ouve sobre sonhos. Desde o básico até teorias mirabolantes, passando da realidade-vivida, exercícios automáticos da mente e outras coisas mais absurdas, como visões do futuro.
        Aquele garoto se interessava por tal assunto e, pode-se acrescentar, gostava de sonhar.
        Mas este filosofar, num domingo parado, não era o que ele queria. Ele não estava, ali, querendo aprender mais tal assunto ou criar mais uma opinião mirabolante (e, possivelmente, contraditória) sobre sonhos e suas origens.
        A única coisa que incomodava aquele jovem era aquele maldito acordar. Como é possível termos certeza que sonhamos se não nos lembramos de absolutamente nada entre o fechar de olhos e o acordar do dia seguinte?
        Não sabia se havia lido ou inventara aquela teoria naquele momento, mas considerou que aquilo era chamado de sonho invisível.
        Sim, sonho invisível. Daqueles mesmos, que você sabe que teve e, tem dias, até chega a abrir o olho e a fechá-lo novamente, voltando para o calorzinho que aquilo te traz.
        O único detalhe de uma parte destes sonhos é o acordar. Você é tomado por uma lucidez que parece te dar um jato de... esquecimento.
        E era esquecimento que o incomodava. Esse acordar que lhe retirava aquele calorzinho agradável da cabeça. Calorzinho que ele sabia de onde vinha, sabia de quem vinha, sabia de tudo... mas não se lembrava.
        Não soube ao certo se sonhou, pois sabemos como estes sonhos invisíveis, aqueles que não nos lembramos, incomodam nossa memória com uma certeza de que aconteceu e a contraditória dúvida do branco na nossa mente.
        Mas devemos admitir com todo clichê e romantismo que se cabe a esta situação: ele adormeceu pensando nela.

07 abril, 2010

Diferenças



[ Primeira ]

Ele: Não é bobagem eu te ver caminhando por ai e ficar tremendo, zonzo, tarado e, ao mesmo tempo, cheio de orgulho porque, porra, é comigo que você passa as tardes. Mas...
Ela: Mas...?
Ele: Mas de que adianta a gente passar as tardes juntos se eu nem sei o que a gente é.
Ela: Como assim?
Ele: O que a gente é, ora.
Ela: Desculpa, mas não entendi mesmo.
Ele: Ah, não me faça falar.
Ela: Falar o quê?
Ele: Falar em... namoro.

     Ela suspirou ao mesmo tempo que envolveu seus braços no pescoço dele, os olhos fechados e, em um beijo, respondeu o que ele não perguntou, mas cuja resposta estava ansioso para ouvir e sentir.


[ Segunda ]

Ele: Não é bobagem eu te ver caminhando por ai e ficar tremendo, zonzo, tarado e, ao mesmo tempo, cheio de orgulho porque, porra, é comigo que você passa as tardes.
Ela: Cadê o seu ‘mas’?
Ele: Que ‘mas’?
Ela: Da última vez, você usou uma frase parecida, mas ela tinha um ‘mas’ no final.
Ele: Como assim?
Ela: Você falava do que a gente é, ora.
Ele: Desculpa, mas não me lembro mesmo.
Ela: Então você vai me fazer falar.
Ele: Falar o quê?
Ela: Falar em... namoro.

     Ele suspirou ao mesmo tempo que envolveu seus braços no pescoço dela, os olhos fechados e, em um beijo, respondeu o que ela não perguntou, mas cuja resposta estava ansiosa para ouvir e sentir.

06 abril, 2010

Desencontro

     Desceu do ônibus de ombros contraídos. A testa levemente franzida e o olhar concentrado nos próprios pés.
     Andava para local nenhum. As garotas olhavam curiosas para o rapaz de maxilar marcado e não havia uma pessoa que não imaginasse o que e passava por aquela cabeça.
     Ela, como sempre, levava um sorriso tímido no rosto. Camisa de cor pálida e um caminhar leve. Somente os bons observadores percebiam o pingo de frustração em seus lindos olhos verdes.
     Aquela figura densa e ansiosa prendeu a atenção da garota. Não como os outros. Não. Pouco lhe importava os belos traços, o corpo robusto e o ar misterioso.
     Foi como um tapa inesperado, que a deixou perplexa e sem fala. Jamais vira tanta vida em uma pessoa. Foi algo estranho, como se tivesse encontrado a si mesma.
     Quando se deu conta, estava a segui-lo. Entraram no correio e ele tirou uma carta da mochila que não parecia cheia. Uma mochila vazia e um homem que parecia carregar o mundo nas costas.
     Ela não sabia para onde ir. Foi até lá apenas para sair de casa e sentiu-se envergonhada quando percebeu o que acabara de fazer. Nunca teve o hábito de perseguir pessoas e, mesmo que o tivesse, o seu desejo de invisibilidade não permitira qualquer aproximação.
     Comprou um envelope qualquer para não sair de mãos vazias e se dispôs a fazer o inusitado (em seu mundo): aproximou-se dele e perguntou o horário.
     Passava do meio dia e ele logo tornou a olhar para os próprios pés e caminhar.
     Um turbilhão invadiu o seu corpo. Somente ela sabia as forças que juntara e o esforço que fizera para dirigir uma palavra qualquer ao rapaz. E ele caminhava como se aquele instante não tivesse existido, e nada houvesse atrapalhado seu pensamento.
     Os passos leves teriam caminhado em direção contrária, não fosse a força que a sugava para junto dele. O homem parou por alguns instantes. Olhou o relógio (ato que confirmou a insignificância que ela anteriormente sentiu) e mudou de direção.
     Entraram em um café, com mesas pequenas e redondas, quase todas cheias.
     Chegou o momento de fazer-se notar. Buscou coragem sabe-se lá de onde e com a voz trêmula perguntou se ele não era fulano qualquer.
     Ele, pela primeira vez, pareceu descer ao mundo. Respondeu que não e, para surpresa da moça, prolongou a conversa.
     Sentaram na mesma mesa. Ele falava, sem olhar nos olhos, apenas falava. Ela prestava atenção a cada detalhe e não se atrevia a interromper. Falou sobre a dificuldade em largar seus vícios, e como algumas perdas estavam diretamente ligadas aqueles problemas. Comentou sobre a mudança de temperatura, a música que tocava e o jeito engraçado do moço atrás do balcão.
     Tinha ouvidos voltados para si mesmo. Cada palavra pronunciada por ela ativava uma área de sua memória, e ele punha-se a falar.
     Ele foi embora. Escreveu uns números em um pedaço de papel e deixou na frente dela.
     Ela, estática, olhou os números sobre a mesa e recordou brevemente o acontecido. Angustiou-se. O garoto não disse como se chamava, e não se importou em perguntá-la.
     Ficou ali por mais alguns minutos. Enxergou uma muralha. Levantou-se, amassou o papel entre os dedos e o jogou dentro da bolsa.
     Ela não ligaria. Continuou com seus passos leves e desejou não ter saído de casa naquele dia. Tinha novas dúvidas sobre si mesma.
     Segundos depois subiu no ônibus um homem de ombros relaxados e expressão calma. Desejou ter ficado mais tempo no café...

     [...abre porta, abre...]