Aquele garoto se interessava por tal assunto e, pode-se acrescentar, gostava de sonhar.
Mas este filosofar, num domingo parado, não era o que ele queria. Ele não estava, ali, querendo aprender mais tal assunto ou criar mais uma opinião mirabolante (e, possivelmente, contraditória) sobre sonhos e suas origens.
A única coisa que incomodava aquele jovem era aquele maldito acordar. Como é possível termos certeza que sonhamos se não nos lembramos de absolutamente nada entre o fechar de olhos e o acordar do dia seguinte?
Não sabia se havia lido ou inventara aquela teoria naquele momento, mas considerou que aquilo era chamado de sonho invisível.
Sim, sonho invisível. Daqueles mesmos, que você sabe que teve e, tem dias, até chega a abrir o olho e a fechá-lo novamente, voltando para o calorzinho que aquilo te traz.
O único detalhe de uma parte destes sonhos é o acordar. Você é tomado por uma lucidez que parece te dar um jato de... esquecimento.
E era esquecimento que o incomodava. Esse acordar que lhe retirava aquele calorzinho agradável da cabeça. Calorzinho que ele sabia de onde vinha, sabia de quem vinha, sabia de tudo... mas não se lembrava.
Não soube ao certo se sonhou, pois sabemos como estes sonhos invisíveis, aqueles que não nos lembramos, incomodam nossa memória com uma certeza de que aconteceu e a contraditória dúvida do branco na nossa mente.
Mas devemos admitir com todo clichê e romantismo que se cabe a esta situação: ele adormeceu pensando nela.

0 comentários:
Postar um comentário